quarta-feira, 21/10/2026

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A maioria dos incêndios no Amazonas ocorre em propriedades rurais privadas, com aumento significativo após o primeiro turno das eleições.

Dados alarmantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que 80% dos focos de incêndio detectados no Amazonas em outubro estão localizados em propriedades rurais privadas com Cadastro Ambiental Rural (CAR). A pesquisa,…

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Dados alarmantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que 80% dos focos de incêndio detectados no Amazonas em outubro estão localizados em propriedades rurais privadas com Cadastro Ambiental Rural (CAR). A pesquisa, encomendada pelo g1, mostra que, entre 1º e 15 de outubro, foram registrados 1.639 focos de incêndio, dos quais 79,1% estavam em áreas privadas.

O estado do Amazonas se vê imerso em uma grave crise de incêndios, com chamas que ameaçam não apenas a vegetação, mas também a qualidade de vida nas cidades, incluindo a capital, Manaus. Dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) indicam que os focos de incêndio nas proximidades da capital estão 109% acima da média histórica para o período. Essa situação crítica começou a se intensificar em setembro, mas ganhou força a partir de 4 de outubro, coincidentemente, o dia do primeiro turno das eleições.

A análise do Inpe reforça as declarações de órgãos como o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente sobre a natureza criminosa das queimadas. Para que o uso do fogo para manejo do solo seja autorizado, é necessária uma permissão específica do governo estadual, que não tem sido obtida por muitos proprietários. Desde 9 de setembro, o governo do Amazonas impôs uma proibição ao uso do fogo, mas os incêndios persistem, apontando para uma clara violação da lei.

O fenômeno dos incêndios é exacerbado pela seca, intensificada pelo El Niño, que torna a vegetação mais suscetível ao fogo. Jair Schmitt, presidente do Ibama, destaca que, embora a seca possa facilitar os incêndios, a ação humana é a principal responsável. O uso deliberado do fogo em áreas desmatadas, muitas vezes para limpeza de pastagens, é uma prática comum e criminosa.

Recentemente, o Ibama flagrou ações de criminosa utilização do fogo, incluindo o lançamento de garrafas com combustíveis ao longo de estradas. Desde a última semana, já foram aplicadas multas que somam R$ 2 milhões. A Polícia Federal e a Abin também estão investigando as atividades ilegais relacionadas ao fogo, com mais de 120 inquéritos abertos no Amazonas.

Embora o governo tenha anunciado uma queda recorde no desmatamento, a realidade dos incêndios é complexa. Dados do Inpe mostram que a maioria dos focos de incêndio não está em florestas intactas, mas sim em áreas já desmatadas, onde os proprietários usam o fogo para limpar a vegetação morta. Em outubro, 52,8% dos focos estavam em áreas desmatadas nos últimos três anos. Essa distinção entre desmatamento e incêndio é crucial, pois mesmo com a redução do desmatamento, o fogo continua a ser uma ferramenta utilizada para a manutenção de pastagens.

Com a seca severa, que deixou Manaus com apenas 104 milímetros de chuva acumulada desde julho, os incêndios têm se espalhado de maneira incontrolável, afetando até terras indígenas e áreas protegidas. O Ibama já autuou 19 pessoas e embargou mais de 250 hectares nas proximidades da capital. A responsabilidade pela fiscalização do uso do fogo, no entanto, recai sobre o governo estadual, que ainda não se manifestou sobre a situação.

À medida que os focos de incêndio aumentam, especialmente após o início do período eleitoral, o sentimento de impunidade entre os infratores se torna evidente. O Ibama observa que esse clima de incerteza pode ser um fator que estimula as queimadas, reforçando um ciclo de destruição que coloca em risco não apenas o meio ambiente, mas também a saúde e a segurança das comunidades locais.