Na última segunda-feira (19), em Marabá (PA), o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência, provocou uma onda de críticas ao afirmar que pretende eliminar “entraves ambientais” que, segundo ele, impedem os produtores de utilizarem suas terras da maneira que desejarem. Durante um ato de campanha, Flávio prometeu uma “maior regularização fundiária que o Pará já viu”, defendendo que a propriedade privada deve ser respeitada e que os proprietários poderão explorar seus recursos sem limitações.
A declaração gerou reações imediatas de entidades ambientalistas, que apontaram um retrocesso nas políticas de proteção ambiental. O Instituto Socioambiental (ISA) condenou a fala, considerando-a um eco do “discurso mais atrasado” sobre a Amazônia, onde o desmatamento é tratado como um meio para impulsionar a agropecuária. Para o ISA, a visão de Flávio ignora a importância da floresta em pé e os serviços que ela oferece, ressaltando a singularidade da Amazônia em meio às mudanças climáticas.
A coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, também se manifestou, alertando que a preservação ambiental não deve ser vista como uma questão ideológica, mas sim como uma responsabilidade coletiva. Ela mencionou a recente diminuição das taxas de desmatamento na Amazônia, que estão sob ameaça por conta de discursos negacionistas que desconsideram a importância do meio ambiente.
As falas de Flávio Bolsonaro lembraram a polêmica frase do ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que durante o governo de Jair Bolsonaro sugeriu aproveitar a distração da população com a pandemia para flexibilizar as regras ambientais. O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, destacou que as declarações do candidato representam um risco de retorno a uma era em que a proteção ambiental era vista como uma adversária, e o desmatamento, uma política oficial.
À medida que a campanha avança, a tensão entre interesses econômicos e a preservação do meio ambiente ganha destaque, revelando um dilema que pode definir não apenas o futuro da Amazônia, mas também o compromisso do Brasil com a sustentabilidade em um momento crítico para o planeta.


