O centro do Chade se tornou palco de uma nova onda de violência, com confrontos entre comunidades rivais resultando em pelo menos 25 mortes e 22 feridos. O governo local confirmou os dados neste domingo (1º), destacando a gravidade da situação que, embora não seja nova, reflete a crescente tensão em um país marcado por escassez de recursos naturais.
As hostilidades eclodiram na última sexta-feira, quando um pastor da comunidade kreda se envolveu em uma discussão com um membro da comunidade kuka, após levar seu rebanho a uma lagoa. Segundo um parlamentar da região, a situação rapidamente escalou para um tiroteio, que deixou um dos envolvidos ferido e gerou uma troca de tiros generalizada entre os grupos.
As forças de segurança conseguiram posteriormente controlar a situação, mas apenas após uma série de eventos trágicos. O Ministério da Administração Territorial informou sobre o número de vítimas, ressaltando que os conflitos ocorreram nas áreas limítrofes das províncias de Hadjer-Lamis e Bahr el Ghazal, regiões frequentemente afetadas pela luta por água e terra.
A ONU classifica o Chade como um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, o que agrava ainda mais a competição por recursos hídricos. Dados recentes indicam que menos de 10% da população possui acesso a água potável encanada, uma realidade que não só provoca disputas, mas também perpetua um ciclo de violência. Em abril, um incidente semelhante relacionado a um poço de água resultou em 44 mortes, evidenciando a urgência de soluções sustentáveis para os problemas hídricos enfrentados pela população.
Crédito da imagem: Refugiados do Sudão são atendidos em acampamento do Chade



