Durante uma experiência de acampamento nos EUA, um urso-negro cruzou meu caminho e me fez refletir sobre a minha capacidade de corrida. Após pesquisar sobre a velocidade desses animais, percebi que, na melhor das hipóteses, eu não teria chance alguma. Os ursos-negros, por exemplo, podem alcançar até 48 km/h, o que torna a ideia de correr deles uma péssima escolha. Essa curiosidade sobre quem eu conseguiria vencer em uma corrida me acompanha, especialmente em minhas corridas em Londres, onde imagino até como seria enfrentar um esquilo agressivo.
A busca por entender a velocidade dos animais é uma questão que intriga cientistas há décadas. Pesquisas recentes, que vão desde o uso de tecnologia GPS até métodos mais rudimentares, revelam dados fascinantes sobre a corrida no reino animal. Por exemplo, um estudo recente mostrou que os guepardos podem atingir velocidades impressionantes de até 93 km/h em seu habitat natural.
Um dos principais nomes da pesquisa sobre velocidade animal é a bióloga Myriam Hirt, que compilou dados de cerca de 350 animais terrestres. Sua pesquisa, realizada em 2017, mostrou que a massa corporal não é o único fator determinante da velocidade. Animais maiores, como elefantes, podem até alcançar 35 km/h, mas sua aceleração inicial é mais lenta, o que significa que em distâncias curtas, podemos surpreendê-los em uma corrida.
Comparar a velocidade de corredores humanos com a de animais é uma tarefa intrigante. O recorde de Usain Bolt, por exemplo, é de cerca de 44 km/h, o que o coloca à frente de alguns animais, mas ainda abaixo de outros, como o urso-polar e o avestruz. A giraffa, com 60 km/h, também seria um competidor formidável. Assim, a natureza nos ensina que os corredores mais rápidos do reino animal não são necessariamente os maiores.
Além da velocidade máxima, a resistência também é um fator crucial. O estudo do comportamento dos guepardos revela que eles mantêm sua velocidade máxima apenas por curtas distâncias, em contraste com o antílope-americano, que pode correr 11 km a uma média de 65 km/h. Isso destaca a diferença entre predadores e presas, onde a pressão pela velocidade é maior para os últimos.
Os seres humanos, no entanto, têm uma vantagem evolutiva em corridas de resistência. Nossa biomecânica e capacidade de suar nos permitem correr longas distâncias, embora isso signifique que não somos os melhores em sprints. Pesquisas demonstram que enquanto os corredores de velocidade podem acelerar rapidamente, eles se cansam mais rápido. Portanto, a capacidade de aceitar o desconforto em uma corrida longa é um traço humano que talvez não seja encontrado em muitos animais.
Considerando a maratona, o recorde mundial atual de 1h59min30seg, estabelecido por Sebastian Sawe, revela a diferença significativa entre humanos e animais. Enquanto alguns cães, como os huskies siberianos, têm potencial para superá-los em corridas de longa distância, a vontade de competir é algo que pode não existir no mundo animal.
Assim, ao refletir sobre qual animal eu poderia vencer em uma corrida, a resposta é, com certeza, complexa. Embora possa acreditar que consigo superar alguns, como o elefante em um sprint, enfrentar um esquilo ou texugo rápido pode ser um desafio além das minhas capacidades. E, no final das contas, talvez eu precise repensar minhas estratégias para não ser pego desprevenido por um pequeno e ágil oponente durante minha próxima corrida.
Crédito da imagem: Getty Images via BBC


