A Coalizão Jurídica Transnacional (TLC) fez um movimento significativo ao apresentar 14 denúncias de lavagem de dinheiro contra a JBS, uma das maiores empresas de processamento de carne do mundo. As acusações, divulgadas nesta quarta-feira (4), envolvem a ligação da companhia com o desmatamento ilegal na cadeia de abastecimento de carne bovina, incluindo áreas indígenas, e foram direcionadas a autoridades regulatórias na Holanda, Alemanha, Irlanda e Reino Unido.
Segundo um levantamento que fundamenta as denúncias, a JBS estaria associada a cerca de 6,6 milhões de hectares de desmatamento desde 1988, com a maior parte da devastação ocorrendo antes de julho de 2008. A TLC não apenas mira na empresa, mas também em 12 de seus financiadores, advogados e contadores, sinalizando uma preocupação mais ampla sobre a responsabilidade financeira em relação às práticas ambientais.
A JBS, em resposta às alegações, declarou que não teve acesso ao conteúdo completo das denúncias e reafirmou seu compromisso com o monitoramento de fornecedores na Amazônia desde 2010, utilizando imagens de satélite e georreferenciamento para evitar a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente. A empresa afirma que bloqueia automaticamente fazendas que não atendem a seus critérios ambientais.
Os dados que embasam as acusações foram coletados por meio da análise de Guias de Trânsito Animal (GTAs), registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e informações de monitoramento do desmatamento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Apesar das evidências coletadas, a TLC admite que não é possível estabelecer uma conexão direta entre animais criados em propriedades com desmatamento ilegal e o abate na JBS.
Octavio Ferraz, advogado e membro da TLC, destacou a inovação de utilizar a legislação de lavagem de dinheiro para abordar crimes ambientais. Ele enfatizou que essa abordagem deve alertar instituições financeiras sobre os riscos associados às práticas da JBS, instando-as a intensificar suas investigações e, se necessário, comunicar as autoridades competentes.
Além da JBS, instituições financeiras renomadas, como Barclays, Standard Chartered e Banco do Brasil, foram mencionadas nas denúncias, levantando questões sobre a responsabilidade dessas entidades em relação a possíveis irregularidades nas cadeias de fornecimento que financiam. O Banco do Brasil, em sua defesa, afirmou que não teve acesso às denúncias, mas reafirmou seu compromisso com políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e à avaliação de riscos socioambientais em suas operações.
Essas denúncias não apenas expõem a JBS, mas também lançam um olhar crítico sobre a responsabilidade corporativa e financeira em um contexto onde o desmatamento e a exploração ambiental se tornam cada vez mais insustentáveis. A continuidade dessa situação exigirá uma resposta contundente tanto da empresa quanto das instituições financeiras envolvidas.
Crédito da imagem: Fachada da empresa JBS em Goiás



