sexta-feira, 30/10/2026

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Cientistas projetam que El Niño pode resultar em 850 mil mortes por calor até março de 2027

A atual edição do fenômeno climático conhecido como El Niño está prestes a se tornar um dos mais devastadores da história, com previsões alarmantes sobre suas consequências para a saúde global. Segundo o Climate…

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A atual edição do fenômeno climático conhecido como El Niño está prestes a se tornar um dos mais devastadores da história, com previsões alarmantes sobre suas consequências para a saúde global. Segundo o Climate Impact Lab da Universidade de Chicago, as mortes relacionadas ao calor extremo podem alcançar a impressionante marca de 857 mil até março de 2027. Essa previsão quase duplica a estimativa anterior de 451 mil mortes, refletindo a gravidade do fenômeno que começou em junho de 2026.

Os dados indicam que, nos próximos seis meses, cerca de 373 mil vidas poderão ser perdidas em função do aumento das temperaturas. O Brasil, em particular, é projetado para enfrentar um acréscimo de aproximadamente 19 mil mortes atribuídas ao calor excessivo nesse período. O impacto será ainda mais severo em países do Sul Global, onde a vulnerabilidade das populações e a capacidade de adaptação são significativamente menores.

Estima-se que a Nigéria e a Índia sejam os países mais afetados, com previsões de 56 mil e 55 mil mortes, respectivamente. A Indonésia também enfrenta uma situação crítica, com cerca de 29 mil vidas perdidas esperadas. Esses números refletem não apenas a exposição a temperaturas extremas, mas também as disparidades regionais em termos de saúde pública e infraestrutura de proteção.

O aumento das estimativas de mortes pode ser atribuído a dois fatores principais: a inclusão de março de 2027 no período de análise e a atualização das previsões de temperatura com dados reais, que mostraram temperaturas ainda mais altas do que o previsto. O mês de agosto de 2026, por exemplo, foi o mais quente já registrado, enquanto setembro ficou em segundo lugar, segundo os pesquisadores.

Para acompanhar a evolução dessa crise, o Climate Impact Lab lançou uma nova ferramenta que mapeia as mortes relacionadas ao calor em cerca de 3,7 mil regiões administrativas ao redor do mundo. Estas estimativas mensais permitirão que governos e organizações sociais identifiquem áreas mais vulneráveis e implementem medidas preventivas, como sistemas de alerta para ondas de calor e centros de resfriamento.

Com a previsão de que o atual El Niño tenha uma probabilidade de 83% de ser o mais intenso desde 1950, a urgência em ações efetivas se torna evidente. A adoção de estratégias proativas pode não apenas salvar vidas, mas também mitigar os efeitos devastadores de um fenômeno climático que, a cada nova projeção, revela sua capacidade de impacto. Neste contexto, a responsabilidade de governos e instituições é crucial para garantir a segurança das populações mais vulneráveis diante das mudanças climáticas.