quarta-feira, 21/10/2026

33° Brasil Poucas nuvens · máx 34° mín 24°

Ecologia Policial

33° Brasil Poucas nuvens · máx 34° mín 24°

ONU aponta para possível intensidade recorde do El Niño e seus impactos até o final de 2023.

As Nações Unidas emitiram um alerta urgente nesta quarta-feira (21) sobre a iminente intensificação do fenômeno El Niño, que promete trazer consequências severas para diversas regiões do planeta. A expectativa é que, até o…

Compartilhe:

As Nações Unidas emitiram um alerta urgente nesta quarta-feira (21) sobre a iminente intensificação do fenômeno El Niño, que promete trazer consequências severas para diversas regiões do planeta. A expectativa é que, até o final deste ano, a intensidade do El Niño alcance níveis sem precedentes, exigindo uma mobilização internacional para mitigar os impactos sobre populações vulneráveis. Em uma coletiva de imprensa em Genebra, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, enfatizou a importância de ações preventivas para evitar os piores efeitos deste fenômeno.

O apelo se estende a governos e instituições financeiras, que são instados a liberar recursos antes que a situação se agrave. Tom Fletcher, chefe das operações humanitárias da ONU, ressaltou que a liberação de financiamentos antecipados é fundamental para proteger comunidades em risco de secas, inundações e perdas agrícolas. “Não podemos impedir o El Niño, mas podemos evitar muitas de suas consequências humanas mais graves”, afirmou Saulo, sublinhando a necessidade de uma resposta coordenada.

As previsões da OMM indicam que o fenômeno poderá atingir seu pico entre o final de 2026 e o início de 2027, com anomalias de temperatura na superfície do oceano Pacífico tropical que podem ultrapassar 3,8°C acima da média histórica. Essa situação poderia tornar o atual episódio do El Niño mais intenso do que o já severo evento de 2015-2016, que deixou um rastro de destruição e necessidade humanitária.

Os países andinos já começam a articular uma resposta conjunta, reconhecendo que os desastres relacionados ao El Niño frequentemente não respeitam fronteiras. Esta colaboração foi discutida no âmbito do Comité Andino para a Prevenção e Alerta de Desastres (CAPRADE), que enfatiza a importância de ações coordenadas, especialmente nas áreas fronteiriças.

Além dos impactos climáticos, as agências da ONU também estão preocupadas com as repercussões sociais e humanitárias do fenômeno. O fortalecimento do El Niño pode resultar em uma série de efeitos em cadeia que agravam a insegurança alimentar e a fragilidade econômica em várias regiões, especialmente na América Latina, África e partes da Ásia. Em julho, já havia um reconhecimento de que os impactos do novo El Niño poderiam ser mais severos do que os do evento anterior, que deixou milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Para mitigar esses riscos, a ONU defende a chamada “ação antecipada”, que envolve a utilização de previsões meteorológicas para liberar recursos antes que desastres ocorram. Esse modelo já se mostrou mais eficaz e menos custoso do que a assistência emergencial após crises. A preocupação abrange não apenas a agricultura e a segurança alimentar, mas também a saúde pública, com a OMS alertando para os riscos sanitários associados ao fenômeno.

A situação atual evidencia a necessidade urgente de transformar previsões científicas em ações concretas que possam prevenir crises humanitárias. Com a janela de preparação se fechando rapidamente, as Nações Unidas reforçam que é crucial agir agora para evitar que o El Niño se torne um desencadeador de uma catástrofe global.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Ralphs_Fotos (pixabay)