quarta-feira, 21/10/2026

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Estudo aponta que desmatamento provocado por atividades humanas tem maior impacto na Amazônia do que a seca

A Amazônia brasileira enfrenta um verdadeiro dilema: as emissões de carbono resultantes das atividades humanas estão superando as consequências das mudanças climáticas. Um estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicado na…

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A Amazônia brasileira enfrenta um verdadeiro dilema: as emissões de carbono resultantes das atividades humanas estão superando as consequências das mudanças climáticas. Um estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicado na revista Nature, revela que, entre 2010 e 2024, a floresta emitiu, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que conseguiu absorver. Essa situação alarmante lança luz sobre a complexa relação entre a ação humana e o meio ambiente, evidenciando a urgência de medidas efetivas para proteger essa rica biodiversidade.

Tradicionalmente, as florestas são vistas como grandes aliadas na luta contra o aquecimento global, agindo como verdadeiras esponjas de carbono. No entanto, a Amazônia está perdendo essa capacidade vital. O estudo, conduzido pela pesquisadora Luciana Gatti, revela que o desmatamento e as queimadas são as principais causas desse cenário preocupante. O fogo, em particular, emergiu como a maior fonte de emissões, liberando uma média de 1,47 bilhão de toneladas de CO₂ anualmente, superando as emissões totais da região.

Gatti destaca que, embora as condições climáticas extremas exacerbem o problema, a principal culpada pela destruição da floresta é a intervenção humana. Durante períodos com clima favorável, o desmatamento saltou, e as emissões dispararam para níveis quatro vezes superiores aos de anos chuvosos. O estudo demonstra que, mesmo em secas severas, a maioria das queimadas — 98% — está ligada à ação humana, reforçando a necessidade de políticas públicas mais robustas para proteger a Amazônia.

Os dados também revelam que 80% dos incêndios registrados no Amazonas ocorrem em propriedades rurais, muitas delas cadastradas como áreas de conservação. A falta de fiscalização e a permissividade em relação ao uso do fogo para manejo têm contribuído para um ambiente propício à destruição. A situação é ainda mais crítica considerando que, desde a proibição de queimadas pelo governo estadual em setembro, os incêndios persistiram, indicando uma clara resistência a regulamentações e uma urgente necessidade de ações coordenadas.

O estudo de Gatti é um marco na pesquisa sobre o papel da Amazônia no ciclo global do carbono, sendo seu quarto artigo na prestigiada revista Nature. A cientista alerta que a proteção da floresta é crucial não apenas para a Amazônia, mas para o clima de todo o Brasil. O caminho a seguir é claro: é preciso adotar uma abordagem mais rigorosa para combater o fogo e o desmatamento, que agora se entrelaçam de maneira alarmante. “O fogo é o novo desmatamento”, conclui Gatti, enfatizando que a sobrevivência dessa rica floresta depende, fundamentalmente, da ação coletiva para deter sua destruição.

Crédito da imagem: Terra Indígena Paraná do Arauató, no Amazonas.