Recentemente, moradores de Banda Aceh, na Indonésia, se uniram em um esforço notável ao plantar mudas de mangue, um passo significativo na recuperação da vegetação costeira, que desempenha um papel crucial na proteção contra a erosão. Essa iniciativa é um reflexo de um movimento global em direção à restauração de ecossistemas degradados, que atualmente abrange cerca de 252 milhões de hectares ao redor do planeta. No entanto, essa cifra ainda representa apenas um quarto da área que os países se comprometeram a restaurar até 2030, conforme relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), realizada em Yerevan, Armênia, um levantamento inédito foi apresentado, revelando que, apesar dos progressos em várias frentes — como florestas e rios —, o ritmo das ações ainda é insuficiente para atender às metas internacionais de preservação da biodiversidade. A ONU destaca que os países se comprometeram a restaurar aproximadamente 1 bilhão de hectares, mas até o momento, apenas 25% dessa área está sob iniciativas documentadas.
O relatório também aborda uma meta ambiciosa estabelecida em 2022, no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que visa a restauração efetiva de pelo menos 30% dos ecossistemas degradados até 2030. Para que esse objetivo se torne realidade, a ONU enfatiza a necessidade de triplicar as ações de recuperação nos próximos anos.
Embora a avaliação tenha revelado um movimento crescente em defesa da natureza, conforme apontado por Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma, ainda há um longo caminho a percorrer. O levantamento compila dados de governos e iniciativas de restauração desde 1966, mas destaca que a simples menção de uma área sob restauração não implica que ela já tenha sido completamente recuperada.
Dos cerca de 232 milhões de hectares terrestres que estão sendo restaurados, 192,2 milhões estão na Ásia, com a China liderando o esforço ao recuperar 127,4 milhões de hectares. Na América do Sul, o Brasil se destaca ao usar tecnologia de satélites para monitorar suas iniciativas de recuperação, contabilizando 3,4 milhões de hectares. Contudo, a situação em ambientes aquáticos é alarmante; apenas 11 milhões de hectares de rios e áreas úmidas estão sob restauração, e somente 5,7 milhões de hectares nos ecossistemas marinhos e costeiros.
A ONU também aponta que a falta de dados e recursos financeiros é um obstáculo significativo para a recuperação dessas áreas. O financiamento global para restauração totalizou US$ 64 bilhões em 2022, mas seriam necessários cerca de US$ 296 bilhões anuais para alcançar as metas até 2030. Além disso, o relatório sugere que a restauração não apenas beneficia o meio ambiente, mas também pode gerar empregos e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, com a possibilidade de criar até 32 milhões de postos de trabalho até 2030.


