Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que as promessas climáticas feitas por diversos países podem resultar em uma redução das emissões globais de gases de efeito estufa de apenas 6% até 2035. Esse percentual é significativamente inferior ao corte de 60% necessário para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C, conforme estipulado no Acordo de Paris de 2015.
A avaliação foi divulgada às vésperas da COP31, que ocorrerá entre 9 e 20 de novembro em Antália, Turquia, e baseia-se em 127 novas metas climáticas nacionais, conhecidas como NDCs. Essas metas incluem 154 participantes do Acordo de Paris, que, juntos, representam 71% das emissões globais de 2019, excluindo desmatamento e mudanças no uso da terra.
Embora a implementação das novas metas possa levar a uma redução de até 9% nas emissões, a ONU enfatiza que a realidade ainda é preocupante. A projeção indica que as emissões globais devem permanecer entre 49,6 bilhões e 55,9 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2035, o que não impedirá a superação do limite crítico de 1,5°C. Além disso, estimativas apontam que, se as promessas de longo prazo forem cumpridas, o aumento da temperatura poderá ficar entre 1,7°C e 2,3°C até 2100, mas isso depende da ação efetiva dos países nas próximas décadas.
A ONU alerta que o orçamento de carbono — o limite de emissões de CO₂ que pode ser liberado para manter o aquecimento em 1,5°C — pode ser estourado antes de 2030, uma vez que as previsões indicam que cerca de 368 bilhões de toneladas de CO₂ serão emitidas entre 2026 e 2035, quase três vezes o limite disponível.
Apesar dos desafios, houve um avanço nas metas nacionais, com 90% dos países analisados incorporando medidas de mitigação das mudanças climáticas em seus compromissos. O relatório também observa um aumento na inclusão de estratégias de adaptação para enfrentar os impactos das mudanças climáticas, embora a implementação ainda enfrente barreiras significativas.
O financiamento climático permanece um obstáculo crucial, com apenas 9% dos investimentos globais dedicados a transferências para países em desenvolvimento. Embora os países desenvolvidos tenham superado a meta de mobilizar US$ 100 bilhões anuais, a execução efetiva desses recursos continua a ser um tema central nas próximas negociações da COP31.
Essas questões refletem a urgência de ações concretas e comprometidas para enfrentar a crise climática, uma tarefa que exige não apenas promessas, mas um esforço global coordenado e eficaz.


