sexta-feira, 16/10/2026

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Inpe recebe R$ 147,6 milhões para impulsionar projetos de inteligência artificial no combate ao desmatamento

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou uma novidade que promete revolucionar o monitoramento ambiental no Brasil. Com um investimento de R$ 147,6 milhões proveniente do Fundo Amazônia, a instituição irá implementar o…

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou uma novidade que promete revolucionar o monitoramento ambiental no Brasil. Com um investimento de R$ 147,6 milhões proveniente do Fundo Amazônia, a instituição irá implementar o projeto SIM-Biomas, que utilizará inteligência artificial para aprimorar a detecção de desmatamento e degradação das florestas nativas. Essa iniciativa foi revelada na mesma data em que o governo federal divulgou dados sobre o desmatamento na Amazônia, que apresentou o menor índice desde 1988.

Reconhecido por seu trabalho de monitoramento por satélite, o Inpe tem um papel crucial na formação das taxas oficiais de desmatamento, além de orientar a fiscalização ambiental e alimentar os inventários de emissões do Brasil no contexto do Acordo de Paris. A proposta do novo projeto é integrar dados de diferentes sistemas de monitoramento, unindo a precisão do Prodes com a agilidade do Deter, para oferecer informações mais rápidas e detalhadas sobre a situação das florestas.

Uma das principais inovações será a ampliação da cobertura de alertas para outros biomas além da Amazônia, como a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa. Outro avanço significativo será a melhoria na resolução dos mapas de queimadas, que passarão de uma escala de 1 quilômetro para 30 metros, permitindo um acompanhamento mais acurado das áreas afetadas pelos incêndios. Além disso, o Inpe buscará prever os locais com maior risco de desmatamento, utilizando dados sobre vegetação, posse de terra e variáveis climáticas.

A inteligência artificial desempenhará um papel fundamental nesse processo, automatizando a análise das imagens de satélite e possibilitando uma resposta mais rápida das autoridades. Atualmente, o Prodes fornece dados anualmente, mas com a nova abordagem, pretende-se gerar informações com maior frequência, permitindo uma resposta mais ágil às mudanças no meio ambiente.

O projeto SIM-Biomas não apenas representa um avanço tecnológico, mas também uma tentativa de reverter a tendência de cortes orçamentários que o Inpe enfrentou nos últimos anos. A instituição, que já havia sofrido interferências políticas, busca agora se fortalecer por meio de parcerias internacionais e investimentos em inovação. O valor recebido do Fundo Amazônia, um mecanismo de financiamento que conta com doações de diversos países, é um passo importante nesse sentido.

O sucesso do SIM-Biomas poderá transformar a forma como o Brasil lida com o desmatamento, mas sua eficácia real dependerá da capacidade dos órgãos de fiscalização de agir com base nos dados gerados. A expectativa é que, se cumpridos os cronogramas, o Brasil terá um sistema robusto de monitoramento ambiental até o final da década, capaz de identificar e antecipar ameaças à vegetação nativa em tempo quase real.

Crédito da imagem: Sede do Inpe, em São José dos Campos